terça-feira, 29 de maio de 2018

Bert Hellinger entrevistado por Humberto del Pozo (Trecho 3) (1)

Sobre acidentes, padrões de azar, suicídios, doenças graves, homossexualidade, AIDS.
P-Você também observou que existem dinâmicas que resultam de forma recorrente em acidentes ou a padrões de azar.  Pode nos contar sobre a dinâmica nestes casos?
R-Doenças graves, suicídios ou tentativas de suicídio, ou acidentes são algumas das coisas que vemos com frequência em psicoterapia e que são motivadas pelo amor – o amor de uma criança pequena. As crianças amam de acordo com um sistema de crenças mágico. Para a criança, amor significa: "Para onde você me guiar, eu te seguirei, o que você fizer eu farei”, ou "Te amo tanto que quero estar contigo sempre." Isto significa: "Te seguirei em tua doença" e "Te seguirei na tua morte." Quando alguém quer amar desta maneira ele ou ela é naturalmente vulnerável e propenso contrair uma doença grave.  
P-Mas como pode se sentir a pessoa que é amada desta forma? Como pode se sentir ao ver que sua doença ou sua morte está causando que uma criança fique doente? Como se sentirá? Mal, não é mesmo?
R-Exatamente! Nas constelações, observamos invariavelmente que os falecidos, os enfermos, e aqueles que sofreram uma sorte difícil, desejam que os sobreviventes estejam bem. Uma morte, desgraça ou azar é suficiente. Os mortos sentem-se “bem-dispostos” em relação aos vivos. Não é apenas a criança quem ama, mas também os que sofreram e morreram. Para que a cura sistêmica possa ter exito, a criança debe reconhecer o amor de seu Parente morto e debe honrar sua sorte e seu destino.  
P-Não fica claro para mim o que significa quando você diz:  "reconhecer seu amor e honrar sua sorte."
R-Quando uma criança morre os demais membros da família tendem a ter medo -em parte, porque eles também, talvez inconscientemente, sentem o tipo de amor que os faz querer seguir a criança. Para conter seu medo, eles adormecem seus sentimentos. Em efeito, tiram a criança de seus corações e de sua alma.  Pode ser que falem da criança, mas se separaram dela ou calado seus sentimentos. Então, mesmo quando a criança esteja morta ela ainda tem uma influencia mortal sobre o sistema familiar: a morte dos sentimentos. Para que o amor prospere, a criança deve ter um lugar na família, como se ela estivesse viva. Os membros sobreviventes da família devem viver seus sentimentos pela criança, seu pesar e seu luto. Podem colocar uma fotografia da criança, ou plantar uma árvore em sua memória. Mas a coisa mais importante é que os sobreviventes levem o falecido com eles em sua vida, e permitam que seu amor pela criança viva.
Muita gente age como se os mortos tivessem partido. Mas aonde podem ir? Obviamente, estão fisicamente ausentes, mas também seguem presentes em seus efeitos contínuos sobre os vivos. Quando tem um lugar apropriado dentro da família, as pessoas falecidas têm um afeto amistoso. De outra maneira causam ansiedade. Quando se lhes da um lugar apropriado, eles apoiam aos vivos em sua vida ao invés de apoiar-los em sua ilusão de que deveriam morrer.  
P-O que ocorre com a AIDS?
R-Estar infectado com o vírus ou contrair AIDS não é uma dinâmica familiar, não diretamente. Naturalmente, as pessoas que contraem AIDS são em sua maioria homossexuais, e a homossexualidade é uma dinâmica familiar. Se volto ao exemplo anterior, se houve um filho que morreu cedo e era uma menina, e na família só existem meninos, então um dos meninos tem que representar a uma menina. Agora, isto conduz à homossexualidade, se um homem tem que representar a uma mulher em uma família. Mas quando há AIDS a questão é que enfrentem seu destino e sua sorte. Pelo que tenho visto, eles normalmente não têm nenhuma ilusão, é fácil trabalhar com eles.
No que diz respeito à homossexualidade, primeiro quero dizer umas quantas coisas gerais sobre o ponto de vista sistêmico.  Cada pessoa é parte integrante do sistema relacional no qual vive, e cada pessoa tem um mesmo valor para o funcionamento deste sistema quer dizer, cada membro do sistema familiar é essencial em sua importância.
As diferenças em um sistema social permitem que este seja mais duradouro e estável. Existe uma consciência de grupo que exclui a alguns membros do grupo por serem diferentes, mas atua a um nível diferente que a consciência sistêmica que olha pelo direito de todo membro de formar parte do sistema familiar. O fato de que alguém seja excluído por ser diferente, tem consequências muito serias para os membros mais jovens de uma familia.
Tenho visto muitos casos nos quais uma pessoa mais jovem sofria terrivelmente porque estava identificada com um familiar, que havia sido excluído da família por ser homossexual. Os homossexuais são membros da família e como tais devem ser reconhecidos e valorizados. Do contrario, se fere o amor. Este reconhecimento fundamental da dignidade intrínseca d do valor de toda pessoa permite olhar as diferenças abertamente.
Partindo desta base, se apresenta um fato inevitável para os casais homossexuais: seu amor não pode leva-los a ter filhos. A procriação exige a heterossexualidade, e este fato não pode ser ignorado como se não existisse nem tivesse consequências. Em qualquer relação de casal sem filhos a separação significa menos culpa, quer dizer, se trata de duas pessoas que só se ferem mutuamente. Por outro lado, se um casal de país se separa, este passo tem consequências graves para seus filhos, pelo que lhes é exigida muita cautela para que seus filhos não sofram pelo que eles fazem. Esta culpa adicional torna mais difícil a separação para os pais, mas, paradoxalmente, também serve de apoio para sua relação. Os casais sem filhos, entre estes também os casais homossexuais, não podem contar com o apoio destas consequências para mante-los juntos em tempos de crises.
Para casais homossexuais, da mesma forma que para outros casais sem filhos, interessados em uma relação duradoura e de amor, é especialmente importante tomar decisões claras e conscientes sobre os fins e intenções de sus relações. Algunas metas são mais prováveis de levar a uma estabilidade duradoura em uma relação que outras. Querer evitar a solidão ou sensação de vazio, por exemplo, não é nenhuma meta que possa apoiar uma relação duradoura entre iguais.
Cada pessoa tem seu propio caminho na vida, uma parte se escolhe, mas a outra simplesmente vem dada pela vida mesma, sem que se possa escolher realmente. Esta é a parte difícil de se lidar. As pessoas homossexuais com as quais eu trabalhei, inclusive aquelas convencidas de que elas escolheram livremente sua orientação sexual, estavam atadas em dinâmicas sistêmicas, experimentando em sus vidas as consequências do que outros em seu sistema fizeram ou sofreram. Foram colhidas ao serviço de seu sistema, e, de crianças, não puderam se defender da pressão sistêmica à qual estavam expostas. Portanto, isto é para eles o segundo assunto a tratar: eles levam algo pela família.
Eu não vejo a homossexualidade como algo que tenha que se mudar, e sempre que trabalho com pessoas homossexuais, a homossexualidade não é o tema primordial. Simplesmente tento trazer à luz qualquer tipo de implicações que poderiam estar limitando a plenitude da vida, mas não tenho nenhuma intenção de mudar orientação sexual de ninguém.
P-Que tipo de implicações tem observado em seu trabalho com homossexuais?
R-Pude observar três padrões de implicações sistêmicas: Uma criança é pressionada a representar a uma pessoa do sexo oposto no sistema porque no ha nenhuma criança do mesmo sexo à disposição. Assim, por exemplo, uma criança teve que assumir o papel de sua irmã mais velha morta, porque não havia nenhuma menina entre os demais filhos sobreviventes. Ou o caso de outro filho que teve que representar a primeira noiva de seu pai, que havia sido tratada injustamente. Este é o padrão mais doloroso e difícil que pude observar.
Um filho sente a pressão de representar alguém que foi excluído do sistema familiar o que foi difamado pelo sistema, inclusive se a pessoa em questão é do mesmo sexo. Homossexuais que vivem neste padrão tem a posição de "marginalizados". Assim, por exemplo, uma criança que era tratada como o primeiro noivo da mãe que contraiu sífilis e, em seguida, rompeu o compromisso. Ainda que aquele noivo tenha agido honrosamente tinha sido menosprezado e desdenhado pela mãe da criança. Os sentimentos do filho, a sensação de ser desprezado, eram muito similares às que o noivo deveria sentir, como se fossem seus próprios sentimentos.
Um filho que permaneceu recolhido na esfera da mãe, ou uma filha que não saiu do âmbito de influencia do pai, ambos incapazes de levar ao fim o gesto interior de tomar ao progenitor que pertence ao mesmo sexo.  
Tradução livre de Marcia Paciornik

(1) fonte Insconsfa.com

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Êxito, realização profissional e abundância.

Desejamos ser exitosos, viver na  abundancia e sermos realizados profissionalmente. Muitos têm dificuldades em uma ou todas estas áreas. Quando uma pessoa coloca esta questão em uma constelação frequentemente aparecem como causa dificuldades na relação com os progenitores, mãe, pai ou ambos. 
A pessoa vive um relacionamento conflituoso, difícil,  de cuidar de, ou inexistente com um ou ambos progenitores. Ou seja existe um desequilíbrio nesta relação. Os pais dão e os filhos tomam. Se um filho não consegue receber o que os pais dão (em primeiro lugar a vida, desfrutando plenamente dela demonstrando gratidão por aqueles de quem a recebeu) ou está em uma atitude de julgar, criticar, ressentimento ou mágoa em relação a eles sua vida vai ficar estagnada em uma ou mais áreas.
Nascemos com uma enorme divida por termos recebido o mais significativo presente: a vida. A maioria dos pais dá aos filhos mais do que a vida: alimento, abrigo, vestimenta, educação, cuidados com a saúde, proteção, horas de preocupação e cuidados. Outros não tiveram condições de dar mais do que a vida. Não importa o que aconteceu depois. A vida é um presente mais do que suficiente. 
Muitas vezes os filhos focam sua atenção apenas naquilo que não receberam sem mostrar gratidão pelo que sim receberam e afasta ou bloqueia o fluxo da vida, do exito e da abundância.
Os filhos que se sentem maiores ou melhores do que os pais, julgando que sabem o que eles devem ou deveriam fazer, que precisam tomar conta da vida, do dinheiro ou da saúde deles, não estão em seu lugar de filhos e ocupam o lugar de anteriores, muitas vezes de um avô ou de uma avó. Quando isto acontece vão viver dificuldades em vários setores e talvez sofrer doenças graves.
Os pais idosos,  com dificuldades e doentes precisam ser apoiados, mas como pais, não como crianças incapazes.
Através da mãe e da linha familiar materna estamos conectados com a vida, com o amor, com a saúde e com a abundância. A conexão com o pai nos possibilita estar na  realidade, na vida como ela é e em concordância com tudo como é.  
Pai é mundo, é realidade, é explorar e desbravar territórios, ampliar fronteiras. Sem a força do pai vivemos em crenças, fantasias e fanatismos.  
A conexão com ambos os progenitores permite a realização profissional e o êxito na vida pessoal, nas empresas e nos projetos.
Para muitas pessoas aceitar os pais como são, sentir-se como os pequenos e como filhos diante deles é impossível, ou muito difícil e doloroso. Na maioria dos casos existe uma boa razão para isto. 
Uma destas razões ocorre quando um filho inconscientemente assume responsabilidades que não lhe cabem em relação a acontecimentos ocorridos no passado do sistema familiar: danos não assumidos, dividas não pagas, lutos não encerrados e vive na expiação a danos e culpas não assumidos ou vingando vitimas de maus tratos, abusos, violências. permanecendo  presos a estes vínculos, repetindo  sentimentos e comportamentos de pessoas anteriores do  seu sistema familiar.
As constelações, ferramenta terapêutica  desenvolvida por Bert Hellinger, possibilitam identificar e curar estes vínculos inconscientes.
Em alguns casos uma constelação é suficiente para possibilitar equilíbrio, bem estar e uma enorme transformação. Em outros é necessário passar por um processo mais prolongado. 

Espero que este texto seja oportuno e útil e traga elementos para reflexão.Sinta-se a vontade para enviar seus comentários e compartilhar.

Marcia Paciornik
Maestria em Novas constelações. 
Orientação e alinhamento sistêmico , novas constelações familiares, quânticas e empresariais. 
Atendimento individual, em grupo presencial ou online.
Uma consulta individual permite olhar e superar as dificuldades e bloqueios em um ambiente mais reservado e pessoal e pode ser realizada também por skype. 

Para esclarecer duvidas entrar em contato com constelarparavida@gmail.com
+5511 991388337

      (1) Elaborado a partir de exercício formulado por Brigitte Champetier des Ribes, Diretora do Instituto de Constelaciones Familiares, www.insconsfa.com

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Estou agindo como vitima?

Todos, em algum momento, nos sentimos vitimas de algo ou de alguém. 
Na maioria das vezes não reconhecemos este sentimento porque estamos focados em atribuir a culpa do que sentimos a algo ou a alguém. Não nos sentimos como responsáveis pelo que aconteceu. 

As pessoas que têm uma atitude positiva e proativa diante da vida e das circunstâncias são as que mais têm dificuldades em se ver nesta atitude.  Mas acredite, todos nos sentimos assim com frequencia. 

Alguns sinais que sinalizam quando estamos nos vitimizando:
  • Entramos em agitação mental querendo nos justificar ou culpabilizando outros por uma situação;
  • Estamos nos queixamos de algo ou de alguém; 
  • Nos sentimos tristes, ressentidos e/ou magoados com algo; 
  • Nos sentimos injustiçados, ignorados ou rejeitados; 
  • Julgamos que não recebemos o reconhecimento e atenção "merecidos";
  • Sentimos que as nossas circunstâncias são mais desfavoráveis do que as de outras pessoas; 
  • Achamos que fazemos tudo errado (vitimas de nós mesmos);
  • Nos sentimos negligenciados ou desconsiderados,...
A lista é longa. E veja, não estou falando de quando somos vitimas de um acidente ou agressão, por exemplo. Mas da "atitude" de vitima.
Quando estamos neta "atitude" não percebemos nem assumimos nossa parcela de responsabilidade no que estamos vivendo. Atribuímos tuda que nos acontece aos demais, carregamos ressentimentos antigos e culpamos eventos antigos pela dificuldade em  mudar e crescer.

Quem vive como "vitima" normalmente é pouco assertivo e repete padrões de submissão e passividade; sente pena de si mesmo/a; constantemente se compara com outras pessoas de forma negativa; reclama constantemente de sua vida; corta pessoas de suas vidas sumariamente por qualquer razão ou motivo.

Algumas frases indicam quando uma pessoa está vivendo este papel: “meus pais sempre deram mais atenção para meus irmãos do que para mim”, “eu tenho que fazer tudo para todo mundo”, “ninguém reconhece o que eu faço”,  “sempre esquecem de mim”, “estou cansado de fazer tudo pelos outros”, “nada do que eu faço dá certo”, “o que fizeram comigo foi uma grande injustiça”, “me sinto preterido no trabalho " "trabalho mais do que todos e não sou reconhecido”, “nada que é meu funciona”, “ninguém me dá atenção”, “estou muito magoada com o que me fizeram!”, “eu tenho que fazer tudo sozinha!”, “ela morreu para mim!”, "eles não reconhecem tudo o que eu fiz por eles!" 


Bert Hellinger afirma que "como vítimas nos sentimos pequenos e incapazes de agir. Nos imobilizamos e  assumimos uma posição de reféns e “perdedores” sem controle sobre nossa vida". Para ele, a atitude de vítima congela.

É possível mudar esta atitude?

No instante em que reconhecemos que também somos responsáveis, em maior ou menor medida, pelo que nos acontece ou aconteceu, o nosso sentimento interno começa a mudar. 

Ao olhar com coragem podemos perceber nossa "cumplicidade" com este papel e reconhecer quando nos vitimizamos. Isto possibilita acolher este sentimento e assumir a parte que nos cabe. Neste momento somos capazes de deixar de nos sentir vítimas e iniciar um processo de crescimento e cura.


Marcia Paciornik,

Maestria em Novas constelações e constelações quânticas.

Orientação e alinhamento sistêmico , novas constelações familiares e empresariais.

Capacitação em Movimentos Essenciais com Claudia Boatti


+55 11 991388337

quarta-feira, 11 de abril de 2018

As forças do amor


Brigitte Champetier des Ribes diretora do Instituto de Constelaciones Familiares de Madrid e uma das maiores expoentes e teóricas das novas constelações familiares, autora dos livros Empezar a constelar e Constelar la Enfermedad desde las compreensiones de Hellinger y Hamer acaba de lançar um novo livro: Las Fuerzas del Amor.

"Existen cuatro fuerzas universales, sistémicas y físicas que rigen las dinámicas de todo lo que existe, orientando todo en un gran movimiento de amor desde la diversidad hacia la unidad.

Este libro revela el significado y el propósito de esas cuatro fuerzas:
1. Aceptación: Asentimiento incondicional a todo tal cual es. Amar es aceptar incondicionalmente la vida que nos ha sido dada.
2. Orden: Aceptar la vida concreta que tenemos en la dimensión espacio-temporal, lo cual implica aceptar que el tiempo nos ordena. A nivel individual, los elementos más antiguos tienen preferencia sobre los más jóvenes y, a nivel colectivo, los sistemas nuevos poseen más fuerza que los viejos.

3. Inclusión: Desde el punto de vista de la unidad, todo lo que existe en el mundo y todos los seres tienen el mismo derecho a pertenecer. El movimiento de esta fuerza es el de la inclusión y el respeto a la diferencia.

4. Equilibrio: La compensación entre ganancias y pérdidas, es decir el equilibrio entre dar y recibir, es la fuerza que transforma las polaridades en una nueva realidad. Es la fuerza que crea los saltos cuánticos.

La primera fuerza es la del amor incondicional que engloba a las tres siguientes.
 En efecto, las fuerzas del orden, de la pertenencia o de la compensación no son más que las distintas facetas del amor mayor". Fonte: www.insconsfa.com





terça-feira, 20 de março de 2018

Entrevista de Bert Hellinger a Humberto del Pozo 2



Setembro de 1999 (Trecho 2) (1)

"Quem pertence à consciência familiar, ex-cônjuges, doenças.

Quem está incluído na consciencia familiar?

A consciencia familiar abarca um número circunscrito de pessoas:
1. As crianças, inclusive as falecidas durante a gravidez e aquelas que morreram cedo.
2. Os pais e seus irmãos,
3. Os avós,
4. Às vezes os bisavós ou um dos bisavós, e às vezes inclusive ancestrais que vem de mais atrás.
E, o que parece muito estranho, pessoas que não são parentes pertencem também à consciencia familiar:
5. todos – e isto é muito – os que proporcionaram alguma vantagem aos membros já mencionados. Isto inclui em  particular, cônjuges anteriores dos pais ou dos avós, assim como também todos os que a sorte resultou para a família uma vantagem ou ganho.
6. vítimas da violência ou assassinato por parte de qualquer membro da família.

Pode compartilhar algumas de suas experiencias com ex-cônjuges?
Sim, experiencias que tive recentemente com pessoas que sofreram uma perda em beneficio de alguém da família. Por exemplo, a ex-esposa do pai, da qual ele se separou. A nova esposa tem uma vantagem porque a outra sofreu uma perda; assim, a primeira esposa pertence à família. E ela sempre será representada. Esta é uma das leis das quais nunca vi uma exceção, ela será representada por um filho ou uma filha do segundo casamento.  Assim, por exemplo, uma das filhas da segunda esposa repentinamente sentira como a primeira esposa. Se enfurece com seu pai e ninguém sabe por que. Isto é novamente o resultado da consciencia familiar. Isto é a consciencia familiar.

Como trabalha estes assuntos em uma Constelação Familiar?
A constelação familiar mostra o estado da família, aonde se encontra o problema. No caso que acabo de mencionar a modo de exemplo, eu introduziria no sistema familiar uma representante da primeira esposa. E então, o homem, seu ex-esposo, olha para ela e lhe diz: “Sinto haver te ferido. Te honro como minha primeira esposa”. E a segunda esposa lhe diz: “Tu es a primeira, eu sou a segunda. E por favor, seja amável se conservo meu esposo, e por favor, olhe com bons olhos aos meus filhos”.
E então a filha que representava a ex-esposa já não necessita faze-lo e pode dizer à mulher que representa ... isto é a ex-esposa de seu pai na Constelação: “Eu sou filha do meu pai e da minha mãe” E pode dizer ao pai” Tu és meu pai e eu sou apenas a sua filha não tenho nada que ver com sua ex esposa”. Nestes casos a filha também se converte em rival da mãe porque o seu pai a vê como sua primeira esposa. Agora pode dizer a sua mãe: “Tu es minha mãe, eu sou sua filha por favor seja gentil”.
Tenho observado que em casos como este as crianças desenvolvem uma neurodermatites, uma doença da pele... uma coceira constante. É muito estranho. Descobri por acaso. Se ocorre uma reconciliação entre as duas esposas a neurodermatite cura ou se alivia.
Isto mostra que na realidade muitas doenças se devem à consciencia familiar.
Assim, fazendo este trabalho se pode ajudar a muitas pessoas, para que levem uma vida de melhor qualidade.

Seus métodos terapêuticos são também aplicáveis para pessoas com doenças graves?
Sim, especialmente nos casos em que os problemas ou doenças são causados por implicações sistêmicas ou quando esta é pelo menos uma das causas contribuintes.

Quais são os sintomas que respondem melhor a esta psicoterapia sistêmica?
Temos visto que algumas doenças muito desafiantes para a vida das pessoas, por exemplo, o câncer, também tem causas sistêmicas. O contexto sistêmico se mostra na dinâmica de: "Eu te sigo"; isto significa que uma pessoa quer seguir a outro membro da família que está doente ou morto, caindo doente ou buscando morrer também. Ou uma criança que vê alguém de sua família com a tendencia a seguir a outra pessoa desta forma tenta rete-lo dizendo: "É melhor que eu vá em teu lugar." A tudo isto se soma o desejo de expiar ou compensar uma sorte, buscando a sua vez um destino similar.
Conhecendo estas dinâmicas fundamentais, é possivel despoja-las de seu poder e aliviar muito o sofrimento e a dor.
Outros sintomas estão relacionados com um movimento interrompido em direção a um dos progenitores. Este é o caso, por exemplo, de dores cardíacas ou dores de cabeça, que com frequência expressam um amor refreado, e as dores nas costas se desenvolvem muitas vezes quando uma pessoa se recusa a se inclinar profundamente em respeito a seu pai ou mãe".

Traduzido do espanhol por Marcia Paciornik


 (1)   Fonte: www.insconsfa.com, Instituto de Constelaciones Familiares.



domingo, 11 de março de 2018

Humberto Pozo entrevista Bert Hellinger -1


Bert Hellinger entrevistado por Humberto del Pozo em Santiago de Chile. Setembro de 1999 
(Trecho 1 -sobre psique familiar, consciência familiar, terapia de constelações, representantes) (1)

P-O que é a psique familiar?
R-Temos observado, ao trabalhar com a família que seus membros são dirigidos por um principio de força em comum, e eu chamo isto de consciência familiar. Podemos observar que um número circunscrito de pessoas é sujeito de forças inconscientes que os levam a se comportar de certa maneira. Por exemplo, se em uma família, um membro dela foi excluído ou esquecido, digamos uma criança que morreu muito cedo e já não é contado entre os irmãos, então mais tarde dentro da família, já na geração seguinte, outro membro assume a mesma sorte desta criança. Esta pessoa então deseja morrer sem que ninguém saiba porque.
E fazemos uma Constelação Familiar. Isto significa que em um grupo, uma pessoa se centra em si mesma e seleciona representantes para os membros de sua família –incluindo alguém para si mesma- e os coloca em um espaço uns em relação aos outros, seguindo sua própria intuição.  E logo que as pessoas assumem este lugar sentem como as pessoas que elas representam sem mesmo conhece-las. Assim, por meio da Constelação Familiar, obtemos uma representação do que realmente está sucedendo na família.

P-Então como é a terapia que você faz para as condutas inconscientes que mencionou?
R-Digamos que neste exemplo, a pessoa seleciona representantes para seu pai, mãe, seus irmãos e irmãs, e uma para si mesma. Em seguida as posiciona no espaço e todas permanecem olhando em uma mesma. Isto é muito estranho, assim que quando vemos sabemos imediatamente que alguém foi esquecido ou excluído. Então repentinamente recordam: “Ah, sim! ... houve uma irmã que nasceu com deficiência e morreu aos três meses.  
Então eu seleciono uma representante para a filha falecida e posiciono em frente aos demais. E todos se sentem aliviados porque agora ela pode ser incluída, e outra criança que ficou doente, por exemplo, de diabetes, tem agora probabilidades muito maiores de enfrentar esta doença de forma positiva.
P-Tenho observado que você solicita muito pouca informação do cliente antes de pedir que configure sua constelação familiar. Isto é suficiente, como é possível?
R-Sim, uma vez que esta percepção emerge com maior facilidade se perguntamos pela informação mais essencial, e se isto é feito imediatamente antes de configurar a constelação, não antes.
As perguntas essenciais são:
1. Quem pertence á familia?
2. Há crianças falecidos durante a gravidez ou algum que morreu cedo? Houve alguém com um destino difícil na família, por exemplo alguém com algum tipo de incapacidade?
3. Algum dos pais ou avós foi casado ou comprometido em uma relação anterior, ou envolvido em uma relação significativa antes de seu casamento atual?
Qualquer pergunta adicional bloqueia a abertura para a informação fenomenológica que emerge. Isto é verdade tanto para o terapeuta como para os representantes. É também o motivo pelo qual o terapeuta evita qualquer conversa previa com o cliente ou a um questionário extenso. Além disso é melhor se o cliente permanece em silencio durante a constelação, e que os representantes se abstenham de fazer qualquer pergunta ao cliente.
P-Como ocorre que uma pessoa seja escolhida, em sua família, para representar a uma pessoa excluída?
R-A força que opera selecionando alguém para representar a pessoa excluída é a consciencia familiar, e é inconsciente. Você o vê pelos seus efeitos. Esta consciencia familiar segue certas leis. Uma delas é que cada membro de uma família tem um direito equivalente ao dos demais de fazer parte do sistema. Agora, se um membro é esquecido ou excluído já não pertence. Então a consciencia familiar tem uma tendencia a completar a família. Esta é uma das leis. E podemos de fato ver, pelos seus efeitos, que membro da família está submetido a ela e quem não. Só certos membros da família são afetados e podem estar emaranhados na sorte de outros membros da família.

P-É a família que escolhe esta pessoa ou é a pessoa que escolhe ser um representante do passado?
R-Nem um nem outro. É a alma ou a consciencia da família a que escolhe esta pessoa. E não ha ninguém culpado de estar escolhendo alguém. É uma força que requer que alguém o faça, e o mais fraco – com frequência- é o que toma para si.  Se é uma criança é com frequência o mais jovem quem o assume. O que menos pode resistir a estas forças. Mas não quero fazer disto uma generalização. Eu observei isto com frequência, mas também acontece que seja o primeiro que nasce, com muita frequência é ele; o que sim é sempre uma pessoa em uma posição mais frágil quem carrega com isto.

Traduzido do espanhol por Marcia Paciornik

(1)   Fonte: Insconsfa, Instituto de constelaciones familiares.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Carreira, profissão, trabalho, negocios. Uma visão sistemica.

Não conseguir trabalho, enfrentar constantemente dificuldades em projetos, empresas e negócios, mudar frequentemente de trabalho ou profissão são indícios de dificuldades originadas na relação com os pais. 

A postura e a atitude que adotamos diante dos nossos pais pode afetar o nosso exito no trabalho, nas relações pessoais e até mesmo nas afetivas. De acordo com a visão sistema e as compreensões trazidas por Bert Hellinger, estas dificuldades indicam um desequilíbrio entre o dar e o receber. 

Recebemos muito dos nossos pais, antes de tudo a vida! Quando não conseguimos agradecer, respeitar e honra-los como são ou foram, enfrentamos bloqueios, dificuldades, frustrações em diversos setores.
As dificuldades com os pais sempre têm uma razão. Normalmente estão relacionadas a lealdades inconscientes que nos fazem repetir padrões de comportamento e emoções de pessoas anteriores do sistema familiar.
A epigenética vem monstrando que recebemos impressões emocionais de ancestrais e as reproduzimos sem saber, Inconscientemente. 
Fazemos isto por amor, como uma forma inconsciente de nos sentir incluídos e pertencentes ao nosso sistema familiar. Quando nos assumimos ou nos responsabilizamos por algo que não nos compete, perdemos a força e a energia necessárias para cuidar ou fazer o que de fato nos cabe fazer.
Percebemos que isto está ocorrendo quando enfrentamos dificuldades em alguma área da vida: no trabalho, na empresa, na saúde, nos relacionamentos pessoais e afetivos ou em relação ao dinheiro. Ao superar estas lealdades é possível viver de forma mais bem sucedida, exitosa e feliz.

Marcia Paciornik
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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Como ter exito e abundancia?

A maioria das pessoas sonha em viver uma vida plena de exito e livre de dificuldades financeiras. 

Enquanto algumas parecem ter dedos mágicos, que tudo que elas tocam vira ouro, outras, por mais que se esforcem, trabalhem duramente, estão sempre endividadas, ou gastam mais do que ganham. 

O filosofo, psicólogo e psicanalista Bert Hellinger, nos forneceu pistas importantes para a compreensão destes fenômenos. 

Uma de suas "pistas" é a de que o dinheiro é uma energia ligada ao agradecimento, à vida, e ao assentimento a tudo como é. Principalmente à aceitação e ao agradecimento incondicional à nossa mãe. 

A mãe que nos coube, como é ou como foi, na sua humanidade e imperfeição. Viva ou morta. Tenha ela nos criado ou não, tenha sido amorosa, ou não. Tenha apenas sido a doadora do óvulo que nos deu a vida, ou a barriga de aluguel que nos conduziu até a vida. 

Para algumas pessoas isto é tão fácil e natural como respirar: estar em sintonia com a vida, ter recebido e agradecido à mãe pela vida e por tudo que recebeu através dela. 

Estas pessoas estão em equilíbrio com a força da compensação, retribuem este bem valioso que é a vida estando na atitude de gratidão e, como consequência, atraem o dinheiro e a abundância. 

Para outras pessoas isto é difícil ou muito doloroso: pessoas que foram dadas em adoção, abandonadas, ou sofreram algum tipo de violência ou abuso, outras que por alguma razão não se sentem amadas ou só focam naquilo que não receberam dos pais.

Por lealdade e profundo amor ao nosso sistema familiar, aos pais  e necessidade de nos sentir incluídos e no pertencimento, nós assumimos inconcientemente no momento da concepção, "encargos sistemicos" que não nos cabem. 

Responsabilidades, culpas, emoções, sentimentos, que pessoas do nosso sistema familiar não conseguiram integrar ou superar e permaneceram como feridas abertas no nosso DNA sistêmico emocional são transmitidas e revividas de geração em geração até que algum membro do sistema possa olhar para elas com amor no coraçã encerrando seu ciclo de repetições. 

Quando estamos presos a estas lealdades inconcientes vivemos como alguém do passado familiar e, como consequência,  não temos a energia e a força para viver plenamente nossa própria vida. Para estar na abundancia é necessário respeitar a hierarquia natural da ordem de chegada no sistema: respeitar e honrar quem chegou antes do que nós (na vida, em um grupo, na escola, na empresa ou no trabalho) o que não é possível se estamos ocupando sem saber o lugar de outro integrante do nosso sistema.

Quem não esta "ordenado" (em seu lugar) não consegue sentir respeito e gratidão em relação aos seus pais. Sente-se "maior" ou melhor do que eles.


Em constelações que Bert Hellinger realizou com pessoas com câncer é possível ver duas situações: quando a pessoa consegue agradecer a mãe, e a doença pode ir embora, e quando a pessoa não consegue e a doença permanece. 

O mesmo se dá com o dinheiro. "O dinheiro começa a fluir na vida das pessoas a partir do momento que elas se percebem como filhos agradecidos de suas mães, ainda que não a tenham conhecido". (1)

As dificuldades e problemas que sentimos em nossas vidas: não conseguir trabalho, não ter dinheiro, viver endividado, não conseguir um relacionamento, doenças, bloqueios são metáforas da consciencia familiar para mostrar que estamos desordenados. Que estamos vivendo algo que não nos compete ou cabe, uma responsabilidade ou sentimento de algum anterior do nosso sistema familiar biológico.

A terapia ou orientação sistêmica, com as constelações,  podem ajudar a responder e orientar a solução para estas dificuldades e possibilitar uma vida mais leve, plena e abundante.


Marcia Paciornik
Socióloga, 
terapeuta e orientadora sistêmica,  constelações familiares e empresariais.

Maestria em Novas Constelações
Capacitação em Movimentos Essenciais  

Maestria em Novas Constelações e constelações quânticas pelo Instituto de Constelaciones Familiares Brigitte Champetier des Ribes

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Texto escrito com base no trabalho teórico de Bert Hellinger e Brigitte Champetier de Ribes. Para saber mais a respeito clique em www.insconsfa.com.

(1) Brigitte Champetier des Ribes. 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

O que significa "tomar" os pais?


Normalmente as pessoas  ficam intrigadas quando ouvem esta expressão. E com razão.

“Tomar,” em português, é uma palavra utilizada com frequência com o sentido de beber algum liquido, ou no de "pegar" algo, portanto causa alguma surpresa a ideia de "tomar" os pais.  

Esta era a real intenção de Hellinger ao escolher esta palavra. Uma metáfora para indicar que quando quando tomamos (bebemos) algo, por exemplo um suco feito com diferentes frutas, não podemos separar cada uma delas e bebemos o suco por inteiro. 

A ideia é  tomar nossos pais como são, sem separar o que gostamos ou não deles. Por inteiro, com o que é bom e com o que é ruim. Compreendendo que os pais são seres humanos, imperfeitos como nós, que nos deram de presente a vida, não importa o que ocorreu depois. Por mais difícil que seja ou tenha sido.

Olhar para eles com o mesmo amor incondicional que um bebe olha para a mãe. Sentir a mesma sensação de segurança, felicidade e alegria de um bebê quando olha e interage com ela.

Nem sempre porém os filhos estão em condições de “tomar” os pais ou os pais de “tomar” os filhos como filhos (com frequência por eles mesmos não terem conseguido tomar a seus pais).  Muitas dificuldades se interpõem neste caminho. 

Os sistemas familiares têm uma tendência a se desordenar (1). Para manter a integridade e continuidade dos sistemas, forças invisíveis como a da gravidade entram em ação e os mais jovens do sistema são tomados por elas para tentar incluir o que foi excluído ou ficou sem terminar.  

Quando as pessoas de um sistema encontram-se à serviço das chamadas forças de coesão e de compensação sistêmica, e “presas” à dinâmicas de compensação, não estão em seu lugar de filhos ou de pais e não se veem ou são percebidos como tal. Sómente quando estas dinâmicas são expostas claramente é possível haver uma liberação. 

A ferramenta utilizada para esta liberação, na metodologia de Hellinger, é constelação que é uma ferramenta fenomenológica (3)

“Através das imagens de solução que trazem as configurações familiares, o cliente pode encontrar uma solução para a implicação que se apresenta em seu sistema e, com isto, reconciliar-se com a história familiar e com os implicados nela” (2)

Outra causa descrita por Hellinger é o “trauma do amor interrompido.” Este trauma pode ocorrer quando uma criança de até 6 anos de idade se vê afastada de um ou de ambos os progenitores por um período longo de tempo. Como até esta idade é muito dificil para uma criança processar ou integrar  emocionalmente esta separação pode desenvolver um bloqueio ou trauma.

Na sociedade ocidental moderna as pessoas são incentivadas a se separar dos pais como se eles representassem um fardo em suas vidas. Em muitas linhas psicoterapêuticas, eles são mesmo considerados como a causa ou os responsaveis pelas neuroses e dificuldades pessoais dos filhos.

Assim não é de se estranhar que muitas pessoas vejam nos pais a fonte de muitas de suas dificuldades, bloqueios, neuroses, traumas e tenham em relação a eles sentimentos de ressentimento, mágoa, queixa. Muitas vezes até se colocam no papel de seus críticos, julgadores, “orientadores”, cuidadores, provedores invertendo a ordem natural na qual os pais dão e os filhos recebem. 

Estas dinâmicas acabam por criar uma nova desordem sistêmica cujos efeitos se farão sentir de imediato em suas vidas.

Naturalmente cabe aos filhos olhar e cuidar dos seus pais quando idosos, doentes, fragilizados ou impossibilitados. Em nenhum momento, porém, podem deixar o lugar de filhos, de menores em relação a eles. Os pais mesmo frageis e debilitados continuam sendo os "grandes", os maiores, os filhos sempre mostrando por eles respeito, consideração e assentimento aos seus desejos, ordens e vontades.

Em nenhuma hipótese cabe a um filho dizer a um pai ou a uma mãe o que ele ou ela deve ou não fazer ou como ele ou elas devem viver as suas vidas. Mesmo que eles desejem morrer. Esta é uma decisão que compete a eles como pais e aos filhos assentir, por mais dificil e doloroso que seja. 

Quando os filhos não conseguem ou se recusam a ”tomar” o que os seus pais têm para lhe dar ou estão focados apenas no que eles “não” deram, ou não olham e valorizam tudo o que receberam, mesmo que tenha sido apenas a vida, se desligam do fluxo natural da vida. É como se estivessem se recusando a viver.

"A pessoa que não tomou os seus pais não está no agradecimento. Quem não tomou a mãe tem muita carência, e o dinheiro é um substituto da mãe, uma metáfora. Estas pessoas vão buscar o dinheiro de forma compulsiva (inclusive através da corrupção). Sentem a falta das caricias maternas e se dão a si mesmos os favores e as caricias da vida. Isto, entretanto, não lhes preenche a vida".

Um filho ou filha que não consegue desfrutar o amor e a intimidade com sua mãe ou com seu pai não vai poder vivenciar um relacionamento afetivo de casal quando adulto. O relacionamento com os pais é nosso primeiro modelo de relacionamento, de afeto e de intimidade.

E a cada não que damos aos nossos pais, a cada recusa, a cada queixa, a cada crítica, a cada julgamento, nos afastamos da vida, do amor, da alegria, da saúde, da abundância, do sucesso, do trabalho, da realidade. Cada vez que nos sentimos “maiores” ou “melhores” do que eles, perdemos força, energia, impulso vital.

Não importa se estudamos mais do que eles, se alcançamos uma posição de influência ou social maior do que a deles. Não importa sequer se tivemos um pai ou mãe abusivos, ou que nos abandonaram ao nascer, ou que foram embora, que se recusaram a nos reconhecer, ou  que matou alguém (talvez mesmo um outro dos progenitores). Não importa o que não recebemos. Ou não tivemos. Se não tivemos: não existe! Se não existe não vamos perder tempo com isto (4)

O que importa é o que sim recebemos. E todos nós, sem exceção, recebemos de um pai e de uma mãe, a vida. 

O que nos cabe é “tomar” os nossos pais. Dizer sim a eles como são. Abrir nossos corações em agradecimento. Mesmo quando não sabemos quem sejam ou tenham sido. 

Agradecer a vida que recebemos através deles. 

E como disse Angélica Olvera de forma muito divertida e verdadeira “Tomar os pais não é como tomar uma vacina que você toma uma e pronto, acabou! É algo para fazer todos os dias, várias vezes ao dia. Café da manhã, almoço e janta! ” (4)

Por falar nisso, você já "tomou" seus pais hoje?

Marcia Paciornik 

Orientação e alinhamento sistêmico gradual sistêmico com metodologia de Bert Hellinger, Novas constelações familiares e quânticas. 
Maestria em Novas Constelações. Instituto de Constelaciones familiares Brigitte Champetier des Ribes
 
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