quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Como superar uma situação dificil?

Todos vivemos situações nas quais nos sentimos impotentes, dominados por emoções ou simplesmente congelamos, incapazes de reagir com clareza e prontidão. 

Estas situações nos tiram do nosso centro. Nos desequilibram.  É como se estivessemos no mar, andando na parte rasa, e de repente pisassemos em um buraco e afundassemos.

Quando nos desequilibramos e "perdemos o pé" podemos voltar rapidamente a nos reequilibrar e voltar a superficie ou levar um tempo maior nos debatendo e, talvez até afundar metaforicamente de forma irreversivel.  

O tempo em que levamos  para nos reequilibrar e voltar ao nosso centro vão depender de várias coisas, dentre estas se estamos presos a emoções limitantes, traumáticas e conflitivas do passado, da nossa infância, que nos afastam da situação presente e nos impedem de atuar da forma mais adequada e ágil à circunstancia que estamos vivendo.

Para Eric Berne, psicoterapeuta e criador da analise transacional, todos oscilamos entre três diferentes "estados"  (o  estado do“eu criança”, o do “eu pai ou critico moralista” e o do “eu adulto”).

Estes três estados convivem em nós simultaneamente sem que um tenha consciência da existência do outro. 

Apenas um deles está no presente: o do “eu adulto”. 

Os outros dois (estado do “eu criança” e o “do eu pai/critico”) estão voltados para o passado. O primeiro revivendo emoções não integradas da infância, quando por algum motivo vivemos uma situação dificil ou dolorosa e não tinhamos ao nosso lado um adulto para nos apoiar e ancorar, e o estado do eu pai/critico "repetindo" internamente "conselhos", " determinações" julgamentos, recriminações e criticas que escutamos, várias e várias vezes, de um adulto que respeitavamos ou temiamos na infancia.

Quando "pendemos" para o estado do “eu criança” estamos dominados por emoções antigas reprimidas e bloqueadas. Exigimos que os demais sejam perfeitos e propiciem tudo que necessitamos para ser felizes. Estamos totalmente voltados para a satisfação dos nossos instintos, para o nosso prazer. Somos incapazes de tolerar a frustração. As necessidades e sentimentos dos demais não existem para nós. Agimos e sentimos como quando éramos crianças.

No estado do “eu pai” imitamos, involuntária e inconscientemente, uma figura de autoridade influente da nossa infância. 

Fazemos isto, instintivamente, para preservar nosso direito de fazer parte, de estar "incluido" na "tribo".  Assegurando, através de  julgamentos, críticas, discriminações e rejeições que  que as regras do nosso grupo, da nossa cultura, da nossa família sejam obedecidas, mantidas e preservadas. E assim, sem muita consciencia, reproduzimos, por imitação/repetição, padrões de comportamento, atitudes e valores da geração de nossos pais e/ou avós. Ou seja, inadequadas para o momento e época que estamos vivendo.

Quando revivemos uma emoção da infância na vida adulta criamos barreiras ou nos defendemos e somos incapazes de ver a realidade como é. Não estamos no presente. Não vamos conseguir lidar com a situação. O mesmo acontece quando olhamos e lidamos com a situação com o olhar e do adulto do passado que estamos imitando.

Só podemos lidar com as situações difíceis com equilíbrio e tranquilidade no estado do “eu adulto”, quando estamos centrados, no presente, no aqui e agora, vendo a realidade como ela é, sem estarmos contaminados por ecos de emoções do passado ou de vozes de adultos da nossa infância nos dizendo o que fazer, como fazer e como nos sentir.
Todos estes aspectos fazem parte de nós, de quem somos, nos mostram algo e têm uma razão de ser e de existir. O problema é que nos tiram do centro, nos dominam, tiram nossa capacidade de pensar e de reagir de acordo com a realidade.
Podemos nos resgatar desta situação de agitação e impotência ativando o nosso  observador interno, o estado do eu adulto, aquela parte nossa que está no presente. Neste estado do eu permitimos que a nossa parte mais autentica se revele, acolhemos a tudo como é, a nossa criança, ao nosso critico moralista. Dando espaço e limites para ambos.
Quando estamos no estado criança, as emoções são exageradas ou minimizadas, e estamos buscando a aprovação dos demais, uma autoimagem idealizada de como os outros gostariam que nós fossemos, buscamos aquilo que é conhecido e seguro. Passando para o estado do eu adulto podemos nos abrir para o desconhecido, ir para a vida, relaxar, nos ampliar.
No estado do eu critico moralista ou pai, rejeitamos em nós e nos outros tudo que não é bem visto ou aceito no nosso grupo, na nossa cultura. Isto tira nossa força e faz com que tenhamos medo do que mora dentro de nós quando não está em conformidade com estas normas.
No eu adulto podemos nos abrir com curiosidade para o que rejeitamos em nós e atrapalha nosso crescimento. Nos sentimos firmes e confortáveis. Neste estado do eu aliciamos por ressonância o estado do eu adulto dos nossos interlocutores e os relacionamentos podem fluir melhor. Inversamente, quando estamos no estado do eu pai aliciamos o estado do eu criança da pessoa com quem estamos nos relacionando.
A questão é: como identificar quando nos encontramos nos estados do eu criança e do eu pai e nos resgatar para o eu adulto, para o observador?  Lembrando que um estado não tem consciência da existência do outro?
Estando atentos e conscientes de como nos sentimos em cada situação. Se estamos tranquilos, relaxados, serenos, seguros provavelmente estamos no estado do adulto. Mesmo que diante de uma situação difícil e conflituosa. Se nos encontramos em um  estado de agitação física, ou dominados por emoções, com taquicardia, palpitação, suor, ansiedade, agitação mental, dialogo interno intenso no qual buscamos ter razão em algo ou nos justificar, ou provar que o outro ou a vida ou a situação está errado ou deveria ser diferente do que é, estamos nos defendendo de algo ou criando barreiras a algo.
Sempre que nos defendemos há algum de medo oculto (medo de não ser aceito, medo de ser rejeitado por si mesmo ou pelos outros). Quando nos defendemos queremos ocultar algo de nós mesmos ou dos outros: ódio, vulnerabilidade, emoções caóticas...E nos defendemos de muitas maneiras: agredindo, nos submetendo ou nos retirando. As vezes de todas estas formas dependendo da pessoa ou da situação.
Quando a emoção é muito forte, para nos resgatar é necessário primeiro olhar para ela, acolher, dar espaço. Buscar o silencio interno desligando a mente e focando a atenção no corpo. Nas sensações do corpo. Acolhendo o que for como for. Permitindo que as sensações tomem o seu tempo e ocupem todo o espaço que precisarem.  
Existem muitas maneiras para resgatar o estado do eu adulto, mesmo nas situações mais difíceis. Quanto mais nos observamos e nos familiarizamos com elas, mais reconhecemos quando estamos nos defendendo e mais facilmente podemos nos resgatar.

Sinta-se a vontade para compartilhar este texto e para nos enviar duvidas, sugestões e comentários para constelarparavida@gmail.com

Marcia Paciornik
Maestria em novas constelações
Movimentos sistêmicos. Alinhamento sistêmico gradual. Constelações familiares, quânticas e organizacionais. Análise transacional. PNL sistêmica
11-991388337

(*) Texto baseado na teoria de Analise transacional do terapeuta Eric Berne, no curso de Analise Transacional de Brigitte Champetier des Ribes e no de Movimentos Essenciais de Claudia Boatti

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Minha vida está um caos

Uma casa por muitos anos foi negligenciada em um determinado momento vai precisar de muita manutenção e reforma para se manter em pé. As casas, como as famílias e as pessoas, precisam de cuidado constante e manutenção. 
Em uma casa,  danos estruturais, parte elétrica, encanamentos, telhado, revestimentos, pintura tudo precisa ser refeito. Durante muito tempo os moradores vão conviver com a poeira, o barulho, a bagunça e a confusão da obra. Nesta etapa é comum sentirem que a reforma não vai terminar nunca e entrar em desespero. 

No caso das famílias ou dos relacionamentos quando a desqualificação, o desprezo, a crítica e o julgamento se tornam maiores do que a apreciação, o respeito, a gratidão, o reconhecimento a família começa a desmoronar e seus integrantes a perderem força e coesão.

Nesta etapa as pessoas se esquecem de que para chegar no estado atual de deterioração foram necessários anos de descaso e negligência. A casa, que no início parecia perfeita e maravilhosa, aos poucos foi parecendo cada vez mais apertada, restrita, inadequada. Desejavam algo melhor, maior, diferente e descuidaram da casa que tinham.

Quando começamos um relacionamento, na fase de enamoramento, tudo é maravilhoso. A pessoa amada é perfeita e tudo dela nos deixa feliz. Aos poucos, com a convivência, começamos a ver os “defeitos” e a nos irritar . À medida que o tempo passa os “defeitos” e ou “imperfeições” tornam-se mais frequentes e desconfortáveis. Esquecemos completamente tudo de bom que víamos e sentíamos no outro.

As pessoas tendem a olhar para o que não têm, para o que incomoda o que irrita e com isto deixam de ver e sentir o que sim TEM, o que de fato recebem. E, principalmente, deixam de sentir gratidão pelo que já tem: a casa, o/a parceiro/a parceiro/a, os filhos. Estão na reação, na negação, no NÃO.

Desta forma, pouco a pouco, destroem sua capacidade de sentir amor, alegria, satisfação, contentamento e plenitude.

Quando se dão conta, deixaram o descaso e a negligencia tomar conta. Se ainda estão casados, a pessoa que um dia amaram e com quem tiveram filhos só causa dissabor, ressentimento, magoa, rejeição, irritação quando não raiva profunda. Os filhos têm muitas dificuldades em relação ao trabalho, à vida, aos relacionamentos, ao dinheiro. Muitas vezes agridem, julgam e criticam os pais. A saúde de todos vai mal.

Quem sonhava em viver uma vida ou uma velhice tranquila, se ve cercado de problemas e dificuldades. E a casa está quase em ruinas...A familia se desfazendo.

Alguns começam a se dar conta de que algo está muito errado. Se estão na reatividade, vão ter dificuldades para encontrar e aceitar a boa ajuda. Irão percorrer diversos caminhos mágicos e fantasiosos sempre encontrando defeitos e dificuldades. Nada parece funcionar. Ou simplesmente permitem que tudo vá desmoronando pouco a pouco. Aqueles que finalmente buscam ajuda querem que ela surta efeito imediato. 

Levaram anos construindo o caos e querem que ele desapareça em um passe de mágica! 

A reforma tem seu tempo e seu ritmo. A alma também. Se os danos são apenas externos e superficiais uma pintura e uma troca de revestimentos resolve e a reforma se faz em poucas semanas. Quando é estrutural vai levar mais tempo. Durante a etapa de restauro no meio da poeira e da bagunça vai parecer que nada esta resolvendo ou que está pior do que antes...

O mesmo ocorre com as famílias, com as pessoas e com os relacionamentos. 

A boa noticia é que podemos aprender como nos resgatar, como reestruturar ou restaurar nossa casa.

Existem vários métodos terapeuticos que ajudam neste processo.

Um dos que mais aprecio, por sua capacidade de possibilitar  o auto resgate em diversas situações de forma inovadora, criativa e eficaz,   é  o dos Movimentos Essenciais, trazido à luz  por Claudia Boatti.
  • Nos indica novos percursos e novas formas de ser e atuar na vida,
  • Mostra como nos resgatar de onde não queremos mais estar:  na atitude de vitima, presos a emoções trazidas do passado, ou vibrando em frequencias baixas e densas. 
  • Permite que possamos nos abrir para o que viemos de fato viver, para a tarefa que viemos desempenhar. 
  • Convidam e indicam as formas de nos tornar mais conscientes e responsáveis pelo impacto que causamos na trama social e no nosso entorno ,
  • Nos possibilita perceber o efeito da forma como olhamos e interagimos. Que "nosso olhar não é neutro, como olhamos nos afeta e afeta os demais".


Marcia  Paciornik
Socióloga, 
Maestria em Novas constelações. Novas Constelações familiares e quânticas. Brigitte Champetier des Ribes, nsconsfa.
Capacitação em Movimentos Essenciais com Claudia Boatti.

+55 11 991388337.






quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Bert Hellinger entrevistado por Humberto del Pozo em Santiago de Chile. setembro de 1999 (Trecho 6)


Sobre guerras civis e similares, outras áreas de aplicação do método sistêmico (1)
P- O que acontece quando as pessoas se veem envolvidas em guerras civis ou situações similares?
R -Uma observação recente que fiz nas constelações familiares, e que pode ter efeitos em eventos históricos muito duros, é permitir que as vítimas mortas e os perpetradores mortos se enfrentem uns aos outros – e nas constelações familiares podemos configurar uma maneira na qual isto seja possível– então não se necessita nenhuma intervenção externa. Haverá um movimento que os levará a juntar-se entre todos, e tudo o que era considerado injusto por parte dos vivos, o que requer expiação, não se aplica aos mortos. Eles se reúnem a um nível em que são realmente um.
Vimos estas dinâmicas nas constelações configuradas em nossos seminários recentes na Espanha, Brasil e no que acabamos de finalizar em Santiago de Chile. Também na Argentina, em relação com as chamadas “Mães da Praça de Maio”. Em Santiago, você viu a constelação configurada para a filha de um dirigente sindical que “desapareceu”. Logo que ela disse que os desaparecidos ou mortos como seu irmão haviam sido mais de 1.500, lhe pedi que escolhesse um representante para seu pai e a cinco homens para representar a todas as vitimas e a um representante para o chefe dos perpetradores.
Então situei cada grupo em um semicírculo um grupo enfrentando ao outro, e vimos, sem que nós disséssemos uma palavra, quanta dor ha entre as vitimas desaparecidas e assassinadas, e o movimento –que durou uns vinte minutos- que os levou em direção aos seus perpetradores, a enfrenta-los e depois a tombar no solo e ficarem estendidos entremesclados junto com os perpetradores também estendidos, todos mortos em paz. O último movimento foi notável já que o chefe dos perpetradores, uma vez estendido no solo, se moveu e se colocou com seus pés tocando os do líder das vitimas, e aí permaneceu quieto em paz.
Em situações coletivas nas quais ocorreram implicações sistêmicas graves que incorrem em uma culpa e um sofrimento muito grandes, o trabalho com Constelações pode ser um veiculo muito comovedor e uma ferramenta poderosa para a mudança em direção a uma reconciliação.
P-Em que outras áreas se podem aplicar seu método sistêmico?
R- Existe agora uma tendencia para que estendamos o campo em um sentido mais amplo que o da psicoterapia para incluir muitas outras áreas, porque parece que nelas o que chamo as ordens do amor –que levam a enredamentos - podem ser aplicadas de maneira que conduzam a encontrar soluções. Como por exemplo no trabalho que temos realizado em presídios.
Estivemos em Londres o ano passado e trabalhamos em três presídios; foi muito surpreendente ver que o trabalho foi recebido de forma muito positiva pelos presos. Na Alemanha ha agora investigações sobre como aplicar este trabalho nos presídios. Minha sugestão foi que primeiro trabalhássemos com os assassinos e suas vitimas, porque este parece ser o caso extremo e mostra as leis de maneira mais clara. Penso que se podemos obter deles formas de resolver estes assuntos difíceis, então se pode estender o trabalho com maior facilidade em direção a outros campos.
Outro campo são os colégios. Os professores podem fazer isto, aplica-lo sem ser psicoterapeutas. O no trabalho social se pode aplicar facilmente. E para encontrar soluções para as dificuldades relacionais também, nas organizações de todo tipo, como o fizemos na oficina com empresários e executivos de empresas, aqui em Santiago no 2 de setembro. Assim que queremos ir mais alem do âmbito da psicoterapia e aplicar o método em uma área mais ampla.  E penso que isto está muito em harmonia com o que você quer obter.
P-Vi que uma Terceira Conferencia Internacional sobre Constelações Familiares vai acontecer na Alemanha em maio do ano 2001. Qual vai a ser seu foco principal?
R- Seu foco principal vai a ser as perspectivas de solução em conflitos étnicos. Conflitos nas famílias e nas comunidades causadas por diferenças de religião, cultura e história compartilhada; suas consequências no inconsciente do individuo, a família e a nação; a transmissão transgeneracional destas consequências; tentativas de solução que podem promover o estabelecimento de uma ponte entre as decisões políticas e as terapêuticas. Estes aspectos serão explorados exaustivamente através de apresentações e oficinas.
Desde distintas nações se apresentarão projetos “psico-políticos” que provaram ser exitosos.
Humberto del Pozo: Obrigado, querido profesor, pela oportunidad de uma conversa tão comovente e enriquecedora.
Bert Hellinger: Foram boas perguntas... me vi forçado a revelar muitos segredos. Foi um prazer.
Tradução Marcia Paciornik
(1) fonte : www.insconsfa.com

terça-feira, 24 de julho de 2018

Bert Hellinger entrevistado por Humberto del Pozo em Santiago de Chile. setembro de 1999 (Trecho 5) (1)


Sobre soluções, enfoque fenomenológico, ganhos e perdas, assassinatos, vitimas e perpetradores
Que tipo de soluções podem ser encontradas para um cliente? O que constitui o enfoque fenomenológico neste contexto?
O campo de visão fenomenológico vai desde um ponto de vista estreito a uma percepção ampla, se estende desde o próximo, ou a mão, até perder de vista. Isto significa que em vez de olhar só ao cliente, o terapeuta também olha toda a família, e ao invés de olhar só para o cliente e sua família, olha além deles, a um campo de fenômenos maior e à alma maior que contém tudo. Um individuo e sua família estão unidos por um campo maior e estão afetados pelas forças de uma alma comum maior, que parece guia-los e dirigi-los. Mas ainda, parece claro que um problema só pode ser compreendido cabalmente, e que só podem emergir soluções, no contexto de uma visão mais ampla.
Sim espero ser de ajuda para a alma do cliente, devo ver a sua alma sendo guiada pela alma familiar. Mas se só olho para o cliente e sua família, posso reconhecer o que foi que conduziu a implicações sistêmicas. Mas a solução não se apresenta até que tenha feito a conexão com estas forças e dimensões da alma que estão com o individuo e sua família. Estas dimensões estão além da nossa influencia. Nos podemos meramente permanecer abertos e receptivos em relação a ela.
Quando nos enfocamos no essencial durante uma constelação, esta alma maior pode esclarecer uma imagen curadora potencial, ou uma frase, ou possivelmente o próximo passo. O terapeuta se faz meramente disponível para ser tocado por esta alma maior, ao se refrear de qualquer direção de sua parte, e permanecer profundamente humilde em relação a tudo aquilo que teme, inclusive diante do medo de fracassar. Então, repentinamente, uma imagem, uma palavra, ou uma frase pode emergir, guiando-o ao próximo passo. Mas será sempre um passo em direção à escuridão ao desconhecido. Só ao final ficará claro se este passo foi apropriado ou se ajudou efetivamente. Ao adotar uma postura fenomenológica entramos em contato com estas dimensiones da alma, e isto se consegue com mais facilidade não-fazendo do que fazendo.
A presença focalizada do próprio terapeuta ajuda o cliente a adotar ele também a atitude fenomenológica e a receber os esclarecimentos e forças que ela oferece. Com frequência o cliente não pode suportar o que lhe está sendo revelado e se fecha contra isto. O terapeuta consente inclusive com isto. O terapeuta não permite deixar-se prender pelo destino enredado do cliente e de sua família. Isto poderá parecer frio ou duro de coração. Mas nossa experiencia tem mostrado que, tanto para o cliente como para o terapeuta, os esclarecimentos obtidos de qualquer outra maneira, permanecem incompletos e são so tentativas.
Pode nos dar exemplos daqueles cuja sorte ou morte trouxeram para a família uma vantagem ou um ganho?
Em constelações com descendentes dos que adquiriram uma grande fortuna, tem sido notáveis os destinos difíceis dos netos e dos bisnetos, que não podem ser explicados por eventos só na família. Depois que se agregaram representantes para as pessoas que sofreram para a aquisição de tais riquezas, se tornou aparente que seu sacrifício continuava tendo efeitos na família durante varias gerações.
É também este o caso quando, por exemplo, houveram trabalhadores que morreram durante a construção das ferrovias o na produção de petróleo, e cuja contribuição para a prosperidade de seus empregadores não foi reconhecida nem honrada.
¿O que acontece quando um membro da família foi assassinado?
Darei um exemplo. Foi em um grupo de supervisão. Um terapeuta apresentou a situação de um cliente. O pai havia assassinado a sua esposa, as filhas ficaram e estão agora cuidando da irmã da esposa. As duas meninas estão muito alteradas. Configurei o homem, a mulher, a irmã e as duas meninas. A mulher imediatamente sentiu muito medo. Se virou em direção à sua irmã em busca de proteção. O homem se afastou. Queria irse. De fato, ele se matou logo depois de matar a sua esposa. Assim que tive que fazer com que enfrentassem o verdadeiro assunto. Trouxe à esposa e fiz com que se deitasse no chão para mostrar que ela não está viva, ela está morta agora, assi que não pode simplesmente ir em busca de sua irmã para proteção. Assim restabeleci a realidade neste aspecto. Logo trouxe ao homem de volta para que olhasse à sua esposa. E a olhou e não podia se mover. Então disse que respirasse profundamente e repentinamente saiu dele uma dor muito, muito profunda. Uma tremenda dor. E então caiu de joelhos e olhou sua esposa e começou a chorar. Então, só então, pode olhar realmente para sua esposa. E logo fiz com que se deitasse junto de sua esposa porque esta era a realidade. Ele também estava morto. E então os dois, ambos se moveram aproximando-se com um amor muito, mas muito profundo. Isto é o estranho que ficaram unidos em um profundo amor. Disto concluo e tive experiencias similares com outras constelações ainda mais traumáticas que ao fim das contas, se ambos se reconhecem como mortos, então os mortos...se unem.
Estranho movimento, que aqueles que estão mortos se unam, se entrelacem um com o outro, e cheguem a paz com um amor muito, muito profundo.
Agora, este movimento, a meu ver, só é possível se os perpetradores e as vitimas, quem quer que sejam, estejam ao serviço de uma raiva falsa que vai além deles, muito além deles. E só se todos eles olham para esta força maior, então os antagonismos entre eles podem cessar e se inclinam com muita humildade na alma diante desta força maior. E o que une a todos eles denomino de Grande Alma e não tenho um nome melhor para isto, e isto vai mais além da noção de campos morfogenéticos, que se utiliza às vezes para explicar os fenômenos de repetição de padrões ou formas no tempo e no espaço, porque os campos estão fixos. A alma é algo que se move, dirige o curso da história e da vida pessoal. E nesta alma nos participamos. E ao invés de ver ao individuo como tendo uma alma, ele participa na alma.
Esta alma tem vários níveis. Na superfície tem um nível de leis muito duras. e por baixo tem algo muito diferente. Por exemplo, posso configurar uma família, duas pessoas, e não sei nada, e de repente, eles são atraídos por uma força e enfrentam o verdadeiro assunto, e esta força os dirige em direção a uma solução, que vai mais além das leis que operam na superfície. Se conseguimos pegar esta força pegamos a força curadora.  
Mas talvez uma coisa mais sobre a constelação do homem que matou sua esposa e em seguida se suicidou. As duas filhas se encontravam muito alteradas. Uma estava cheia de ódio. Foi sumamente claro, ela estava a caminho de se tornar uma assassina com este ódio. Ela foi em direção ao pai, queria ir em direção ao pai. E a outra estava alterada de outra maneira. Ela queria se tornar uma vitima. Fiz com que se deitassem junto dos pais. Então estavam unidas com eles e logo puderam se colocar de pé, já sem ódio, não mais com desespero, e puderam dar as costas aos mortos, deixa-los sós e olhar para a vida. Esta também foi uma solução ai.
P- O que acontece quando um membro da família se converte em vitima ou perpetrador?
No que diz respeito a perpetradores e vitimas, os assassinos se sentem grandes com frequência, muito fortes quando se enfrentam com suas vitimas. E então em suas famílias o mais fraco assume a expiação. Na constelação, quando são confrontados com as vitimas, as vitimas se tornam muito, muito grandes e os assassinos muito muito pequenos. E assim há um certo tipo de compensação que se obtêm com isto neste nível. E então se isto acontece os vivos não estão mais enredados. Este é um tipo ritual de cura. Temos visto que o que causa perturbações é que os os vivos assumem algo que só os mortos entre eles podem conseguir. Assim, o movimento curador seria que os vivos olhassem aos mortos, permitam que façam seu movimento, olhem uma vez mais e logo se virem e olhem para o futuro.  Este seria o movimento que vai a outro nível. Assim, a interferência no domínio dos mortos causa perturbações nos vivos.
Em muitas constelações que envolvem descendentes de assassinos, por exemplo os perpetradores durante o regime nazista, ficou claro que os netos e os bisnetos queriam deitar-se junto das vitimas, o que implica um perigo muito grande de tendencias suicidas. A solução foi similar para ambos os grupos. As vitimas devem ser vistas e reconhecidas por todos os membros da família, que necessitam inclinar-se diante deles e fazer o luto por eles.
Depois, aqueles que originalmente se beneficiaram, assim como os perpetradores, tem que se estender junto das vitimas, e os demais membros da família devem deixa-los ir em direção a estes domínios. Só então os descendentes se sentirão aliviados. E talvez os vivos se olharão uns aos outros de uma maneira diferente.
Tradução Marcia Paciornik
(1) fonte: Insconsfa.com.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Bert Hellinger entrevistado por Humberto del Pozo em Santiago de Chile. Setembro de 1999 (Trecho 4)

Sobre: trabalho com viciados, a alma da família, amor maior, equilíbrio e compensação, ordem da chegada ou hierarquia, pertencimento. (1)
Qual é a dinâmica que observou ao trabalhar com viciados?
Quando há adição, por exemplo alcoolismo, temos constelações muito estranhas. Nestas famílias, a esposa despreza ao seu esposo. E não quer que seus filhos honrem a seu marido ou que vão com ele ou com sua família. Ela diz: “eu sou boa para vocês, ele não é bom”. E então os filhos se vingam da mãe, provam a ela que não são bons e que ela está errada. Portanto se vingam. Assim se tornou claro que durante a adição, só os homens podem se encarregar do cuidado dos viciados não as mulheres.
Os terapeutas dos droga aditos deveriam ser homens. Mas as mulheres que honram aos homens, também podem ajudar, somente se não estão tentando ajudar “ao pobrezinho adito” ou algo pelo estilo, porque então os tratam como se fossem crianças, e e droga adito tem que se converter em um homem. E se transforma em um homem quando honra ao seu pai. Ha uma imagem muito simples para ir nesta direção: por exemplo, pongo a seu pai–em uma Constelação- e atras dele situo ao seu avô, e detrás dele, ao bisavô. E logo o adito se apoia contra seu pai e esta é uma força masculina que o fortalece e que ajuda.
Mas por outra parte, muitos aditos são suicidas, e esta é outra dinâmica, uma que se encontra em famílias que são dirigidas pela consciência familiar em direção a algumas dinâmicas básicas:
Uma criança quer seguir uma pessoa falecida, por exemplo à mãe ou ao pai...ela desenvolve uma enfermidade, é propensa a acidentes ou a tendencias suicidas.
Uma criança vê que seu pai quer seguir seu proprio pai e diz: “eu o farei em seu lugar papai”, e se converte em anoréxico... “eu prefiro desaparecer” ... quer evitar que seu pai morra.
Este é um pensamento mágico e completamente inconsciente. Só na Constelação Familiar vem à luz, então pode ser exposto e podemos encontrar uma solução dentro da família.
Quantas vezes é necessário repetir uma Constelação?
Não ha repetições. Se faz só uma vez. A Constelação mostra e então o movimento curador pode começar a operar. Mas não é tão fácil, porque se, por exemplo, uma criança quer morrer no lugar de seu pai, se sente inocente e grande, mas se segue a solução... se sente pequena e culpada de uma maneira muito especial... Portanto, se requer um desenvolvimento especial na alma desta criança para que de estes passos. Assim, não é que se possa fazer uma cura ou encontrar uma solução da mesma maneira que se conserta um relógio. Temos que apoiar a alma e encontrar recursos na família para o cliente.
Que leis governam o comportamento daqueles que pertencem à alma da família?
Como disse antes, os membros da família se comportam como se compartilhassem uma alma em comum, ou uma consciencia em comum, é como se todos estivessem sujeitos a uma autoridade superior. Inclusive parece que esta autoridade segue certas leis e exige ou demanda certas ações:
O Amor Maior
O primeiro fenômeno que observamos aqui é que os membros da família estão vinculados estreitamente por esta alma maior, ou alma familiar compartilhada. Isto é verdade inclusive ao ponto de que uma criança cuja mãe ou pai morre quando ele tem pouca idade, sente desejo de segui-los na morte. Inclusive os país ou avós em alguns casos querem seguir às suas crianças na morte, e podemos observar esta dinâmica inclusive entre os membros de um casal. Se um morre, com frequência o outro perde o desejo de viver.
Equilibrio e Compensação
O segundo fenômeno que notamos, é que existe uma urgência em equilibrar perdas e ganhos entre gerações. Esto significa que alguém que tirou proveito às custas de outro, pagará por isto com uma perda equivalente para compensar. Se aqueles que se beneficiaram foram também os perpetradores, seus descendentes são os que com frequência terminam pagando. A alma familiar se serve deles em lugar de seus ancestrais, sem que ninguém perceba. E se alguém foi culpado em uma geração anterior, mas não assumiu sua culpa, logo alguém em uma geração posterior assumirá a expiação desta culpa. Assim, por exemplo, se matará. Temos visto isto com os assassinos Nazis. E muitos de seus descendentes duas ou três gerações depois têm tendencia a ser suicidas e querem reparar aquilo.
A Ordem de Precedência
Em outras palavras, a alma familiar favorece àqueles que vieram primeiro sobre aqueles que vem depois. Isto representa um terceiro movimento ou ordem natural na alma familiar. Alguém que nasce está preparado para morrer por alguém que veio antes no sistema, sacrificando sua própria vida com a intensão de evitar a morte de outro membro da família. Ou, o membro posterior da família pode estar expiando pela culpa não resolvida de alguém que veio antes. Uma filha pode estar representando à esposa anterior de seu pai, e comportar-se em relação a ele mais como uma esposa do que como sua filha. Neste caso, ela se converte em rival de sua mãe. Se a primeira esposa foi maltratada, a filha pode assumir os sentimentos desta mulher em relação aos seus dois pais.
Pertencimento
A quarta ordem da alma familiar vela pela integridade da família e exige que cada membro dela tenha o mesmo direito ao pertencimento. Membros posteriores da família representam a membros anteriores que foram excluídos ou esquecidos, honrando assim seu direito de pertencer, e restaurando seu pertencimento fazendo lugar para eles. Quando se exclui ou se esquece de um membro, esta classe de consciencia ou alma toma alguém de uma geração posterior para reparar a pessoa precedente. E esta pessoa atua como a outra pessoa em sua vida.
Este é só um resumo breve de alguns movimentos da alma familiar e de suas ordens subjacentes. Meus livros “Felicidad Dual” (Ed. Herder, Barcelona, 1999) e “Reconocer lo que es” tratam sobre isto de forma extensa.
Traduzido do Espanhol por Marcia Paciornik

(1) Publicado na integra em Espanhol em www.insconsfa.com

terça-feira, 29 de maio de 2018

Bert Hellinger entrevistado por Humberto del Pozo (Trecho 3) (1)

Sobre acidentes, padrões de azar, suicídios, doenças graves, homossexualidade, AIDS.
P-Você também observou que existem dinâmicas que resultam de forma recorrente em acidentes ou a padrões de azar.  Pode nos contar sobre a dinâmica nestes casos?
R-Doenças graves, suicídios ou tentativas de suicídio, ou acidentes são algumas das coisas que vemos com frequência em psicoterapia e que são motivadas pelo amor – o amor de uma criança pequena. As crianças amam de acordo com um sistema de crenças mágico. Para a criança, amor significa: "Para onde você me guiar, eu te seguirei, o que você fizer eu farei”, ou "Te amo tanto que quero estar contigo sempre." Isto significa: "Te seguirei em tua doença" e "Te seguirei na tua morte." Quando alguém quer amar desta maneira ele ou ela é naturalmente vulnerável e propenso contrair uma doença grave.  
P-Mas como pode se sentir a pessoa que é amada desta forma? Como pode se sentir ao ver que sua doença ou sua morte está causando que uma criança fique doente? Como se sentirá? Mal, não é mesmo?
R-Exatamente! Nas constelações, observamos invariavelmente que os falecidos, os enfermos, e aqueles que sofreram uma sorte difícil, desejam que os sobreviventes estejam bem. Uma morte, desgraça ou azar é suficiente. Os mortos sentem-se “bem-dispostos” em relação aos vivos. Não é apenas a criança quem ama, mas também os que sofreram e morreram. Para que a cura sistêmica possa ter exito, a criança debe reconhecer o amor de seu Parente morto e debe honrar sua sorte e seu destino.  
P-Não fica claro para mim o que significa quando você diz:  "reconhecer seu amor e honrar sua sorte."
R-Quando uma criança morre os demais membros da família tendem a ter medo -em parte, porque eles também, talvez inconscientemente, sentem o tipo de amor que os faz querer seguir a criança. Para conter seu medo, eles adormecem seus sentimentos. Em efeito, tiram a criança de seus corações e de sua alma.  Pode ser que falem da criança, mas se separaram dela ou calado seus sentimentos. Então, mesmo quando a criança esteja morta ela ainda tem uma influencia mortal sobre o sistema familiar: a morte dos sentimentos. Para que o amor prospere, a criança deve ter um lugar na família, como se ela estivesse viva. Os membros sobreviventes da família devem viver seus sentimentos pela criança, seu pesar e seu luto. Podem colocar uma fotografia da criança, ou plantar uma árvore em sua memória. Mas a coisa mais importante é que os sobreviventes levem o falecido com eles em sua vida, e permitam que seu amor pela criança viva.
Muita gente age como se os mortos tivessem partido. Mas aonde podem ir? Obviamente, estão fisicamente ausentes, mas também seguem presentes em seus efeitos contínuos sobre os vivos. Quando tem um lugar apropriado dentro da família, as pessoas falecidas têm um afeto amistoso. De outra maneira causam ansiedade. Quando se lhes da um lugar apropriado, eles apoiam aos vivos em sua vida ao invés de apoiar-los em sua ilusão de que deveriam morrer.  
P-O que ocorre com a AIDS?
R-Estar infectado com o vírus ou contrair AIDS não é uma dinâmica familiar, não diretamente. Naturalmente, as pessoas que contraem AIDS são em sua maioria homossexuais, e a homossexualidade é uma dinâmica familiar. Se volto ao exemplo anterior, se houve um filho que morreu cedo e era uma menina, e na família só existem meninos, então um dos meninos tem que representar a uma menina. Agora, isto conduz à homossexualidade, se um homem tem que representar a uma mulher em uma família. Mas quando há AIDS a questão é que enfrentem seu destino e sua sorte. Pelo que tenho visto, eles normalmente não têm nenhuma ilusão, é fácil trabalhar com eles.
No que diz respeito à homossexualidade, primeiro quero dizer umas quantas coisas gerais sobre o ponto de vista sistêmico.  Cada pessoa é parte integrante do sistema relacional no qual vive, e cada pessoa tem um mesmo valor para o funcionamento deste sistema quer dizer, cada membro do sistema familiar é essencial em sua importância.
As diferenças em um sistema social permitem que este seja mais duradouro e estável. Existe uma consciência de grupo que exclui a alguns membros do grupo por serem diferentes, mas atua a um nível diferente que a consciência sistêmica que olha pelo direito de todo membro de formar parte do sistema familiar. O fato de que alguém seja excluído por ser diferente, tem consequências muito serias para os membros mais jovens de uma familia.
Tenho visto muitos casos nos quais uma pessoa mais jovem sofria terrivelmente porque estava identificada com um familiar, que havia sido excluído da família por ser homossexual. Os homossexuais são membros da família e como tais devem ser reconhecidos e valorizados. Do contrario, se fere o amor. Este reconhecimento fundamental da dignidade intrínseca d do valor de toda pessoa permite olhar as diferenças abertamente.
Partindo desta base, se apresenta um fato inevitável para os casais homossexuais: seu amor não pode leva-los a ter filhos. A procriação exige a heterossexualidade, e este fato não pode ser ignorado como se não existisse nem tivesse consequências. Em qualquer relação de casal sem filhos a separação significa menos culpa, quer dizer, se trata de duas pessoas que só se ferem mutuamente. Por outro lado, se um casal de país se separa, este passo tem consequências graves para seus filhos, pelo que lhes é exigida muita cautela para que seus filhos não sofram pelo que eles fazem. Esta culpa adicional torna mais difícil a separação para os pais, mas, paradoxalmente, também serve de apoio para sua relação. Os casais sem filhos, entre estes também os casais homossexuais, não podem contar com o apoio destas consequências para mante-los juntos em tempos de crises.
Para casais homossexuais, da mesma forma que para outros casais sem filhos, interessados em uma relação duradoura e de amor, é especialmente importante tomar decisões claras e conscientes sobre os fins e intenções de sus relações. Algunas metas são mais prováveis de levar a uma estabilidade duradoura em uma relação que outras. Querer evitar a solidão ou sensação de vazio, por exemplo, não é nenhuma meta que possa apoiar uma relação duradoura entre iguais.
Cada pessoa tem seu propio caminho na vida, uma parte se escolhe, mas a outra simplesmente vem dada pela vida mesma, sem que se possa escolher realmente. Esta é a parte difícil de se lidar. As pessoas homossexuais com as quais eu trabalhei, inclusive aquelas convencidas de que elas escolheram livremente sua orientação sexual, estavam atadas em dinâmicas sistêmicas, experimentando em sus vidas as consequências do que outros em seu sistema fizeram ou sofreram. Foram colhidas ao serviço de seu sistema, e, de crianças, não puderam se defender da pressão sistêmica à qual estavam expostas. Portanto, isto é para eles o segundo assunto a tratar: eles levam algo pela família.
Eu não vejo a homossexualidade como algo que tenha que se mudar, e sempre que trabalho com pessoas homossexuais, a homossexualidade não é o tema primordial. Simplesmente tento trazer à luz qualquer tipo de implicações que poderiam estar limitando a plenitude da vida, mas não tenho nenhuma intenção de mudar orientação sexual de ninguém.
P-Que tipo de implicações tem observado em seu trabalho com homossexuais?
R-Pude observar três padrões de implicações sistêmicas: Uma criança é pressionada a representar a uma pessoa do sexo oposto no sistema porque no ha nenhuma criança do mesmo sexo à disposição. Assim, por exemplo, uma criança teve que assumir o papel de sua irmã mais velha morta, porque não havia nenhuma menina entre os demais filhos sobreviventes. Ou o caso de outro filho que teve que representar a primeira noiva de seu pai, que havia sido tratada injustamente. Este é o padrão mais doloroso e difícil que pude observar.
Um filho sente a pressão de representar alguém que foi excluído do sistema familiar o que foi difamado pelo sistema, inclusive se a pessoa em questão é do mesmo sexo. Homossexuais que vivem neste padrão tem a posição de "marginalizados". Assim, por exemplo, uma criança que era tratada como o primeiro noivo da mãe que contraiu sífilis e, em seguida, rompeu o compromisso. Ainda que aquele noivo tenha agido honrosamente tinha sido menosprezado e desdenhado pela mãe da criança. Os sentimentos do filho, a sensação de ser desprezado, eram muito similares às que o noivo deveria sentir, como se fossem seus próprios sentimentos.
Um filho que permaneceu recolhido na esfera da mãe, ou uma filha que não saiu do âmbito de influencia do pai, ambos incapazes de levar ao fim o gesto interior de tomar ao progenitor que pertence ao mesmo sexo.  
Tradução livre de Marcia Paciornik

(1) fonte Insconsfa.com

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Êxito, realização profissional e abundância.

Desejamos ser exitosos, viver na  abundancia e sermos realizados profissionalmente. Muitos têm dificuldades em uma ou todas estas áreas. Quando uma pessoa coloca esta questão em uma constelação frequentemente aparecem como causa dificuldades na relação com os progenitores, mãe, pai ou ambos. 
A pessoa vive um relacionamento conflituoso, difícil,  de cuidar de, ou inexistente com um ou ambos progenitores. Ou seja existe um desequilíbrio nesta relação. Os pais dão e os filhos tomam. Se um filho não consegue receber o que os pais dão (em primeiro lugar a vida, desfrutando plenamente dela demonstrando gratidão por aqueles de quem a recebeu) ou está em uma atitude de julgar, criticar, ressentimento ou mágoa em relação a eles sua vida vai ficar estagnada em uma ou mais áreas.
Nascemos com uma enorme divida por termos recebido o mais significativo presente: a vida. A maioria dos pais dá aos filhos mais do que a vida: alimento, abrigo, vestimenta, educação, cuidados com a saúde, proteção, horas de preocupação e cuidados. Outros não tiveram condições de dar mais do que a vida. Não importa o que aconteceu depois. A vida é um presente mais do que suficiente. 
Muitas vezes os filhos focam sua atenção apenas naquilo que não receberam sem mostrar gratidão pelo que sim receberam e afasta ou bloqueia o fluxo da vida, do exito e da abundância.
Os filhos que se sentem maiores ou melhores do que os pais, julgando que sabem o que eles devem ou deveriam fazer, que precisam tomar conta da vida, do dinheiro ou da saúde deles, não estão em seu lugar de filhos e ocupam o lugar de anteriores, muitas vezes de um avô ou de uma avó. Quando isto acontece vão viver dificuldades em vários setores e talvez sofrer doenças graves.
Os pais idosos,  com dificuldades e doentes precisam ser apoiados, mas como pais, não como crianças incapazes.
Através da mãe e da linha familiar materna estamos conectados com a vida, com o amor, com a saúde e com a abundância. A conexão com o pai nos possibilita estar na  realidade, na vida como ela é e em concordância com tudo como é.  
Pai é mundo, é realidade, é explorar e desbravar territórios, ampliar fronteiras. Sem a força do pai vivemos em crenças, fantasias e fanatismos.  
A conexão com ambos os progenitores permite a realização profissional e o êxito na vida pessoal, nas empresas e nos projetos.
Para muitas pessoas aceitar os pais como são, sentir-se como os pequenos e como filhos diante deles é impossível, ou muito difícil e doloroso. Na maioria dos casos existe uma boa razão para isto. 
Uma destas razões ocorre quando um filho inconscientemente assume responsabilidades que não lhe cabem em relação a acontecimentos ocorridos no passado do sistema familiar: danos não assumidos, dividas não pagas, lutos não encerrados e vive na expiação a danos e culpas não assumidos ou vingando vitimas de maus tratos, abusos, violências. permanecendo  presos a estes vínculos, repetindo  sentimentos e comportamentos de pessoas anteriores do  seu sistema familiar.
As constelações, ferramenta terapêutica  desenvolvida por Bert Hellinger, possibilitam identificar e curar estes vínculos inconscientes.
Em alguns casos uma constelação é suficiente para possibilitar equilíbrio, bem estar e uma enorme transformação. Em outros é necessário passar por um processo mais prolongado. 

Espero que este texto seja oportuno e útil e traga elementos para reflexão.Sinta-se a vontade para enviar seus comentários e compartilhar.

Marcia Paciornik
Maestria em Novas constelações. 
Orientação e alinhamento sistêmico , novas constelações familiares, quânticas e empresariais. 
Atendimento individual, em grupo presencial ou online.
Uma consulta individual permite olhar e superar as dificuldades e bloqueios em um ambiente mais reservado e pessoal e pode ser realizada também por skype. 

Para esclarecer duvidas entrar em contato com constelarparavida@gmail.com
+5511 991388337

      (1) Elaborado a partir de exercício formulado por Brigitte Champetier des Ribes, Diretora do Instituto de Constelaciones Familiares, www.insconsfa.com